quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O Dia

O dia hoje é de plena confusão. Nasceu ontem e não sai da estaca zero já que seus argumentos não são suficientes. As idéias que um dia aboli retornam em ciclo vicioso afim de enlouquecer qualquer coração. E esse estado de espírito já não pode mais ser caracterizado como previsível ou simples. Não. Abrange coisas muito mais complexas, antes escondidas. Resulta na inserção de novos sonhos sobre a derrota dos antigos. Quase um grito no escuro, mas na verdade é a busca de um apneico por ar. O qual prega em pleno deserto e se contenta com migalhas de pão nas poças da chuva que caíra no dia anterior. Meu silêncio, que apesar de quebrado por palavras em comum acordo, não se atreve a trair o espírito daquele que clama por sua paz e em ironia afônica ensaia um dito jamais pronunciado.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Homem


Era uma vez a terra, e o mar e todos os animais, plantas e elementos que acrescentavam a essência da vida. Havia um equilíbrio, mas o equilíbrio não era bom. Os seres não iam, nem vinham. Surgiu então o homem: fraco, amedrontado e inexplicavelmente triste. Solidários, houve uma reunião dos seres para o bem daquele que sentia dor. O jaguar disse: "darei ao homem a minha coragem para que ele enfrente todos os seus medos e assim possa ser feliz". E assim foi feito, mas o homem continuava triste. A coruja então ergueu-se e entregou-lhe sua inteligência: "com esse dom, ele não será refém de nenhuma tristeza". Porém, o inoxidável continuava a mercê das mesmas aflições. E assim se estendeu. O urso entregou-lhe sua força. O leão, seu ego. As plantas deram-lhe o dom da vida, criar. O chimpanzé deu-lhe sua habilidade com as mãos. As formigas, a sua perseverança. Os peixes, sua flexibilidade. A harpia, sua visão. As borboletas e as lagartas, sua habilidade de renascer. E assim por diante, cada ser trouxe uma contribuição, exceto um. A detendora de toda sabedoria, aquela que se esgueira por entre as verdades em busca de falhas, o único animal amaldiçoado. A sábia serpente disse então a todos: "vejo algo que vocês não vêem, há um vazio nos homens que não pode ser suprido. uma fome desconhecida. o desejo de ter para não sofrer. isso é a raiz de todo o mal. deram-lhes, na verdade, as ferramentas da sua destruição". E assim surgiu o homem.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O início


Há algum tempo a voz se calou, foi o momento da escolha. Era hora de analisar a bagunça que existira, um momento difícil. Está prestando atenção a ele? Sim, o grande dono da verdade e de todo o ser. A extensão da sua alma. Foi-se infinidade, tornou-se finito. E assim ele foi. E se foi. Não está mais. Levou por um tempo a voz, mas ela retornou. Sentiu vontade de vida e achou pouco menos que isso.