
Era uma vez a terra, e o mar e todos os animais, plantas e elementos que acrescentavam a essência da vida. Havia um equilíbrio, mas o equilíbrio não era bom. Os seres não iam, nem vinham. Surgiu então o homem: fraco, amedrontado e inexplicavelmente triste. Solidários, houve uma reunião dos seres para o bem daquele que sentia dor. O jaguar disse: "darei ao homem a minha coragem para que ele enfrente todos os seus medos e assim possa ser feliz". E assim foi feito, mas o homem continuava triste. A coruja então ergueu-se e entregou-lhe sua inteligência: "com esse dom, ele não será refém de nenhuma tristeza". Porém, o inoxidável continuava a mercê das mesmas aflições. E assim se estendeu. O urso entregou-lhe sua força. O leão, seu ego. As plantas deram-lhe o dom da vida, criar. O chimpanzé deu-lhe sua habilidade com as mãos. As formigas, a sua perseverança. Os peixes, sua flexibilidade. A harpia, sua visão. As borboletas e as lagartas, sua habilidade de renascer. E assim por diante, cada ser trouxe uma contribuição, exceto um. A detendora de toda sabedoria, aquela que se esgueira por entre as verdades em busca de falhas, o único animal amaldiçoado. A sábia serpente disse então a todos: "vejo algo que vocês não vêem, há um vazio nos homens que não pode ser suprido. uma fome desconhecida. o desejo de ter para não sofrer. isso é a raiz de todo o mal. deram-lhes, na verdade, as ferramentas da sua destruição". E assim surgiu o homem.

2 comentários:
muito bom...
ao mesmo tempo criativo e delicado...
parabéns
combinando comigo.
te amo.
ps. eu pubrliquei antes de ver o seu.
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