quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Porcelain Puppet


Estava passeando e o comprei na loja. Veio até mim querendo ser meu. Paguei. Ganhou um lugar especial em cima da estante, ali perto das gavetas. E de lá era admirado, como um grande achado que merecia distância para ser preservado. Mas eu queria mais, era necessário sentir a qualidade do trabalho, observar atentamente os seus detalhes e saber pontualmente cada curvilínea por entre seus contornos. E o "mais", por tanto do quanto acabou se revelando. Mais do que imperfeição fora encontrada, a imperfeição ao menos seria esperada. Para o boneco de porcelana, seus pequenos defeitos eram perfeitos demais pra não serem admirados. E agora, estar em cima da estante não é mais tolerado.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

(Pseudo)Paradigmas

Independe o fato de determinadas coisas acontecerem no seu tempo ou exatamente quando não deveriam acontecer. São necessários alguns pontos em comum para se desesperar. Começa a achar que o todo não é mais do que um mero movimento de ciranda. Absolutamente cíclico, e tão claro quanto seus tombos ou feridas em tecido de hiperemia. Ironicamente, apesar desses ditos óbvios, o que realmente incomoda não é a repetição de acontecimentos e sim, a certeza de que por mais que aconteçam nunca se está realmente pronto para enfrentá-los. Algo como um veterano de primeira viagem perdido em novas chances, bem quando ele achou que a aventura chegara ao fim. Parece então, que o pobre veterano agora tem chance de cometer os mesmos erros e talvez alguns outros novos. A roda cíclica tem seus pontos bons. Se ao invés de erros ressurgirem esperanças ou sonhos outrora perdidos. Talvez muito ainda aconteça. E ele volte a entender que está longe de ser um colecionador do passado, mas na verdade, um ansioso pelo futuro e suas novas magias.