sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Fired Wing

Como pode tê-lo e não tê-lo mais
Em tão raro segundo
Seguro essa vela e a chama se apaga
tao rápido ela acende e apaga
queima o dedo e se vai
ta doendo
e se vai
a vela já não serve sem chama
O dono precisa de mais calor, para acender
foi lá e volta
diz que volta
ou já não sabe mais
E o que queimou o dedo, queimou
esta queimado
será que volta para acender?
Assopra o dedo
Que loucura a dele achar que poderia apagar
Assopra Assopra Assopra

sábado, 24 de novembro de 2007

Caminhar

Não era de se esperar que a distância fosse necessária para a união de duas pessoas. Nesse paradoxo chato e quase sem sentido dá para perceber como sentimentos penumbram realidades e corações. Os corações fortes acreditam serem frágeis assim como os frágeis acreditam serem fortes. Todos cegos diante do óbvio, nenhum disposto a enxergar. Quando passam a ver, dói. É a hora de reclamar por que todos são injustos e a vida não é bem como gostariam, por que desejam coisas e as conseguem. O problema é que acabam por desejar todas as coisas erradas, e lá está o grande coração sozinho, desiludido pela luz do prisma da vida que finalmente atinge os seus olhos. Mas como se diz um sábio antigo: "as vezes é necessário cair para aprender a não cair ou, simplesmente, para aprender como se deve levantar". Mas isso, como tudo na vida, é uma escolha. Porque devemos escolher e saber a diferença entre não errar mais ou errar melhor. O quanto se ganha, o quanto se perde. É um dilema, onde a escolha de um fatalmente levará a perda do outro. Mas nem por isso se deixa de seguir em frente e continuar vivendo sem os problemas de um, com os problemas do outro e com as alegrias de outro, sem as alegrias de um. É por isso, e só por isso, que nunca deixamos de crescer e aprender. Há sempre um novo caminho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Porcelain Puppet


Estava passeando e o comprei na loja. Veio até mim querendo ser meu. Paguei. Ganhou um lugar especial em cima da estante, ali perto das gavetas. E de lá era admirado, como um grande achado que merecia distância para ser preservado. Mas eu queria mais, era necessário sentir a qualidade do trabalho, observar atentamente os seus detalhes e saber pontualmente cada curvilínea por entre seus contornos. E o "mais", por tanto do quanto acabou se revelando. Mais do que imperfeição fora encontrada, a imperfeição ao menos seria esperada. Para o boneco de porcelana, seus pequenos defeitos eram perfeitos demais pra não serem admirados. E agora, estar em cima da estante não é mais tolerado.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

(Pseudo)Paradigmas

Independe o fato de determinadas coisas acontecerem no seu tempo ou exatamente quando não deveriam acontecer. São necessários alguns pontos em comum para se desesperar. Começa a achar que o todo não é mais do que um mero movimento de ciranda. Absolutamente cíclico, e tão claro quanto seus tombos ou feridas em tecido de hiperemia. Ironicamente, apesar desses ditos óbvios, o que realmente incomoda não é a repetição de acontecimentos e sim, a certeza de que por mais que aconteçam nunca se está realmente pronto para enfrentá-los. Algo como um veterano de primeira viagem perdido em novas chances, bem quando ele achou que a aventura chegara ao fim. Parece então, que o pobre veterano agora tem chance de cometer os mesmos erros e talvez alguns outros novos. A roda cíclica tem seus pontos bons. Se ao invés de erros ressurgirem esperanças ou sonhos outrora perdidos. Talvez muito ainda aconteça. E ele volte a entender que está longe de ser um colecionador do passado, mas na verdade, um ansioso pelo futuro e suas novas magias.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O Dia

O dia hoje é de plena confusão. Nasceu ontem e não sai da estaca zero já que seus argumentos não são suficientes. As idéias que um dia aboli retornam em ciclo vicioso afim de enlouquecer qualquer coração. E esse estado de espírito já não pode mais ser caracterizado como previsível ou simples. Não. Abrange coisas muito mais complexas, antes escondidas. Resulta na inserção de novos sonhos sobre a derrota dos antigos. Quase um grito no escuro, mas na verdade é a busca de um apneico por ar. O qual prega em pleno deserto e se contenta com migalhas de pão nas poças da chuva que caíra no dia anterior. Meu silêncio, que apesar de quebrado por palavras em comum acordo, não se atreve a trair o espírito daquele que clama por sua paz e em ironia afônica ensaia um dito jamais pronunciado.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Homem


Era uma vez a terra, e o mar e todos os animais, plantas e elementos que acrescentavam a essência da vida. Havia um equilíbrio, mas o equilíbrio não era bom. Os seres não iam, nem vinham. Surgiu então o homem: fraco, amedrontado e inexplicavelmente triste. Solidários, houve uma reunião dos seres para o bem daquele que sentia dor. O jaguar disse: "darei ao homem a minha coragem para que ele enfrente todos os seus medos e assim possa ser feliz". E assim foi feito, mas o homem continuava triste. A coruja então ergueu-se e entregou-lhe sua inteligência: "com esse dom, ele não será refém de nenhuma tristeza". Porém, o inoxidável continuava a mercê das mesmas aflições. E assim se estendeu. O urso entregou-lhe sua força. O leão, seu ego. As plantas deram-lhe o dom da vida, criar. O chimpanzé deu-lhe sua habilidade com as mãos. As formigas, a sua perseverança. Os peixes, sua flexibilidade. A harpia, sua visão. As borboletas e as lagartas, sua habilidade de renascer. E assim por diante, cada ser trouxe uma contribuição, exceto um. A detendora de toda sabedoria, aquela que se esgueira por entre as verdades em busca de falhas, o único animal amaldiçoado. A sábia serpente disse então a todos: "vejo algo que vocês não vêem, há um vazio nos homens que não pode ser suprido. uma fome desconhecida. o desejo de ter para não sofrer. isso é a raiz de todo o mal. deram-lhes, na verdade, as ferramentas da sua destruição". E assim surgiu o homem.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O início


Há algum tempo a voz se calou, foi o momento da escolha. Era hora de analisar a bagunça que existira, um momento difícil. Está prestando atenção a ele? Sim, o grande dono da verdade e de todo o ser. A extensão da sua alma. Foi-se infinidade, tornou-se finito. E assim ele foi. E se foi. Não está mais. Levou por um tempo a voz, mas ela retornou. Sentiu vontade de vida e achou pouco menos que isso.